segunda-feira, 9 de novembro de 2009

SOBREVIVENDO À SEPARAÇÃO E AO EGO MATERNO


Demorou, mas voltei. É que, além dos sentimentos terem sido intensos nesta primeira separação do Caio, nosso reencontro foi ainda mais intenso, o feriadão foi muito bem aproveitado, o grude foi (está sendo) grande, e o tempo para escrever no blog (e ler os blogs que adoro) bem escasso...

Mas no fim deu tudo super certo. Algumas de vocês acompanharam os mini-relatos do papai sobre os dois primeiros dias nos comments do post anterior, e por ali deu pra sacar que a separação fluiu tranquila do lado de lá... E do lado de cá??? Não sei bem dizer, acho que estou processando ainda... Rá! Mas vamos a algumas elaborações despretensiosas:


1. o mito do choro incontrolável ou trocada por um danoninho

Eu jurava que o Caio ia abrir um berreiro incontrolável quando percebesse, na primeira noite, que a mamãe (o mamá) não estava em casa. Tá. Se teve alguém que caiu em choro incontrolável já na saída para a viagem, esse alguém foi a mamãe que vos fala (tudo bem que houveram motivos complementares além da "angústia da separação"... mas são de fóro mais íntimo do que me permito revelar neste blog, hoho, vocês vão ficar curiosos...). O Caio até deu uma choradinha quando nos despedimos, mas logo a criatividade da vovó transformou lágrimas em risadas e diversão. E, na primeira noite, quando acordou chorando e esfomeado (já que não teve mamá - peito - e ele não quis o tetê - copinho com leite - antes de dormir), e, novamente, não quis o tetê, a vovó tentou primeiro um mingau, e, sendo este veementemente recusado, ela apelou para um golpe baixo (e infalível): "quer um danoninho, então, Caio?". Para o meu desgosto (ou deveria ser alegria??), ele comeu o danoninho, deitou na cama e dormiu feito um anjinho até às 7 da manhã do dia seguinte. Enquanto isso, eu, a cada telefonema de manhã e de noite para saber das notícias, não resistia a dar uma choradinha...

2. o medo de traumatizar ou ego de mãe é um inferno

Outro ponto que eu tinha medo era de "traumatizar" o pequeno com minha ausência, tamanha era a minha certeza que ele não ia aguentar 3 dias e 3 noites longe da mamãe (e do mamá). Quá. Todos os dias, duas vezes por dia, minha mãe era obrigada a me responder (ainda bem que ela é mãe também, né, senão ia me mandar praquela parte...): "ele tá super bem filha. Tá brincando bastante, tá comendo super bem, tá dormindo fácil. Tá tudo ótimo aqui." E eu meio que duvidava - "ela deve estar falando isso só para me tranquilizar", teimava meu ego materno insuportável - e insistia: "mas ele tá alegre? não tá chorando? e na escolinha, tá ficando bem?". E a vovó respondia tudo de novo, naquela paciência que só as mães têm... O fato é que ele ficou muito bem MESMO: obviamente, em alguns momentos ele lembrava de mim (e isso não é o ego dizendo, não, a vovó e o papai que falaram, viu!), me chamava, resmungava um pouquinho (principalmente antes de dormir ou se acordava de madrugada), mas bastava vovó ou papai explicarem que a mamãe estava viajando, mas ia voltar logo, que ele respondia "tá bom", virava pro lado e dormia. Devo dizer que achei isso bárbaro (de verdade), porque sou daquelas mães que acreditam que criança entende tudo, e que dá pra conversar e explicar coisas até mesmo para um bebezinho de colo (já falei sobre isso várias vezes aqui no blog, como nesse post sobre quando o Caio começou a andar). Eu conversei muuuuuuuito com o Caio antes de ir, explicando que ia viajar, porque essa viagem era importante para mim, que ele ia ficar com o papai e a vovó e que logo a mamãe estaria de volta, e eles também fizeram muito isso enquanto eu estava fora. E parece que funcionou.

3. a ilusão de "liberdade" ou do porquê não caí na esbórnia

Me disseram que era para eu aproveitar a viagem, que eu ia me sentir tão "livre", "voltar a ser eu mesma" e coisas do tipo... Pensei: bom, acho que depois que eu estiver lá, a coisa não tiver mais volta, vou relaxar e curtir (lembrando que eu estava indo a um CONGRESSO, e não a uma colônia de férias...). Não rolou. Fiquei o tempo todo com a estranha sensação de estar "faltando algo" (lembrem-se que eu ainda amamento, que meu peito, mesmo murchinho, ainda bota inveja em muita mimosa, e que, portanto, ele me lembrava duas vezes ao dia que era hora do Caio estar mamando e que eu devia me recolher ao toalete para fazer a ordenha... muuuuu...). Fiquei meio passadinha mesmo, não podia ver uma criancinha na frente que parecia tia babona. Além disso, minha vontade era aproveitar todo tempo possível para dormir tranquila, simples assim. Some-se a isso tudo, um certo 'cdfismo' de achar que já que tinha ido sem ele, eu precisava fazer valer a participação no congresso: dá-lhe grupos de trabalho, mesas redondas, fóruns... (e olha que não acompanhei todo o congresso, viu!). Nesse ponto foi ótimo, estava com vontade de voltar à ativa na produção acadêmica. Mas, para não ficar parecendo uma boboca aos olhos do filhote quando ele for adolescente, ler esse post, e falar "ai mãe, como você era careta!", dou o braço a pau ma tória (quem não viu o ótimo post da Flá de hoje, corre lá para dar gargalhadas!!): tomei váááárias cervejinhas, e até me animei a ir no "baile da bibliografia" e ver os mais renomados cientistas sociais do país dançando ao som de "você não vale nada mas eu gosto de você". Ok. Mas a melhor parte foi voltar a pé, sozinha, com uma latinha na mão (relembrando meus velhos tempos de vida universitária) e apagar a luz do quarto antes da 1 da manhã, feliz da vida que no dia seguinte iria reencontrar meu pitoquinho.

4. o medo do desmame radical ou "mamãe, você não me conhece?"

Isso foi o maior furo da história: não sei como eu pude imaginar que corria o risco do Caio desmamar com a viagem. Apesar dele ter ficado super bem sem o mamá, lembrado poucas vezes e dormido tranquilamente com historinhas da vovó e do papai, esses três dias não foram suficientes para ele descurtir o dito cujo. Eu vim a viagem de volta toda me preparando psicologicamente, me convencendo que não ofereceria o mamá se ele não pedisse, mas não teve outra: nem dez minutos depois da minha chegada, ele já foi metendo a mão na minha blusa e dizendo com o sorriso mais contente do mundo no rosto: "mamá, té mamá!". E eu dei, claro, feliz da vida. Acontece que o bichinho agora deu pra compensar os dias que fiquei fora, e tá num grude com esse mamá que nem eu tô aguentando... esse é mamífero MESMO, não dá pra negar. Se depender dele, o desmame vai ser só quando entrar na faculdade... (piadinha velha essa, hein!).


Gracinhas à parte, foi tudo bem mais tranquilo do que me aterrorizava minha ansiedade de mãe durante meses antes da viagem. Foi super importante pra mim ter ido, foi bacana pro papai e pro Caio terem essa experiência de uns dias sem o controle da mamãe por perto, o saldo final foi positivo: estávamos mesmo prontos para esse acontecimento, acho que só por isso deu tão certo.

Para falar a verdade, acho que essa viagem me proporcionou o segundo momento mais emocionante da minha vida (depois do nascimento do Caio): reencontrar o pequeno depois dessa primeira separação foi sensacional. Assim que cheguei em casa desandei a chorar feito boba, ele começou a gargalhar de felicidade, ficamos nos abraçando, nos cheirando, nos enroscando, nos beijando, até ele pedir o mamá. Foi bom demais (mesmo porque eu estava crente que ele ia me ignorar quando eu voltasse, já que vira e mexe quando passo mais tempo longe durante o dia ele faz isso). E, sabe do que mais? Nossa relação mudou completamente depois dessa viagem. Pode parecer piegas, mas é a real: estamos muito mais ligados, para além do mamá, que era uma coisa que eu ansiava há tempos e achava que só rolaria quando ele desmasse. Tá uma delícia: ele tá numa fase ótima, super companheirinho, super interativo, curtimos horrores o feriado... enfim, estamos no maior love love love.


O que mais posso dizer... não valeu a pena tanta angústia, podia ter sido tudo bem mais leve, mas o que fazer se sou dramática? Maridão que me aguente (e vocês que lêem esse bloguinho também)!!


[utilidade pública: foi ótimo ler, semanas antes da minha viagem, esse bem humorado post da Roberta, do Piscar de Olhos, sobre sua primeira separação do filhote também por conta de uma viagem profissional; e foi aliviador ler esse post da Mari assim que voltei de viagem, para sacar como vamos aprendendo a curtir também os momentos sem os pequenos... Dois posts divertidos e inspiradores, valem muito a leitura.]

[E, nunca é demais repetir, um super obrigada meu, do papai e do Caio à super vovó, que ela merece!!!]

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

EU VOU...


pra matar a saudade enquanto eu estiver lá...

Amanhã é o grande dia. Vou me separar de Caio por 3 dias e 3 noites. Apesar da dor de barriga, acho que estou preparada. E, para falar a verdade (ainda que ela me doa), ele também está. Foi incrível a transformação dele nas últimas semanas, desde que escrevi aquele post: ele foi me dando todos os sinais para que eu me decidisse. E eu me decidi: estou indo sozinha, vovó e papai ficam com o pequeno. O bom é que vou voltar e vai ser feriado (e aqui onde moro o feriado vai até quarta... morram de inveja... rá!!!), e eu vou poder ficar GRU-DA-DA nele o tempo que eu quiser (e ele me aturar!).

Então é isso. Agradeço muitíssimo todas que comentaram naquele post, me encorajando com suas experiências, ou apenas me aconselhando a seguir o coração de mãe (que, como dizem por aí, não se engana). Agradeço em especial a Flávia e a Roberta, que foram além me mandando emails decisivos e reconfortantes. Agradeço, ainda, minhas amigas "reais" Magá e Rê, que também deram a maior força. E, principalmente, agradeço antecipadamente a super-vovó e o super-papai que estão fazendo de tudo para eu ir tranquila, e vão ter que aguentar as 1001 recomendações que vou fazer antes de sair.

E quando eu voltar da viagem e do feriado-grude, conto aqui como foi. Espero que eu traga notícias boas. Fui!

domingo, 25 de outubro de 2009

TCHAU, RUANDA...





Filho, hoje foi um dia esquisito. Você talvez não tenha percebido muito bem o que aconteceu, mas a mamãe e o papai terminaram esse domingo com um aperto no peito... É que hoje uma de nossas cachorras que você tanto adora, a Ruanda (também conhecida como Pêta), morreu...

Ela já estava velhinha e doente quando você nasceu (o papai tinha ela desde que entrou na faculdade!), mas brincalhona como ela era, vocês puderam se divertir juntos algumas poucas vezes, embora ela desconfiasse um pouco de você...

Vamos sentir saudades... mas você ainda tem a Taipa para brincar e dar muito carinho! E com certeza, outros bichos de estimação ainda farão parte de sua vida, já que você gosta tanto deles!

Agora, só nos resta falar: "Tchau, Pêta!" E a mamãe vai chorar mais um pouquinho pra aliviar o peito antes de dormir...


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

PROCURANDO LUCIANA


Divulgando um pouco atrasada, mas nunca é tarde nesses casos (ainda mais considerando que tenho leitoras da cidade de Araraquara - prestem atenção, meninas!): Luciana Gonzaga Lopes, de 26 anos, era estudande de pedagogia na Unesp de Araraquara e, há pouco mais de 1 ano, teve um bebê e foi abandonada pelo pai da criança. Com depressão pós-parto, retornou para a casa dos pais em Jundiaí, de onde foi embora no dia 1º de junho deste ano, levando apenas a roupa do corpo e alguns remédios. Desde então ela está desaparecida.

Sua irmã, Milene (amiga da futura mamãe
Lia) na tentativa de obter qualquer notícia sobre o paradeiro de Luciana, criou o blog Procurando Luciana, onde conta a história do desaparecimento, divulga algumas fotos e telefones para contato, e acaba, de forma indireta, por ajudar a difundir um assunto tão mistificado (e grave) quanto a depressão pós-parto. Muitas mulheres passam por isso (ou pelo baby blues, muitas vezes confundido com a depressão), e nem sempre são diagnosticadas ou tratadas adequadamente. O apoio da família, nesses casos é fundamental, mas nem sempre resolve, como o caso de Luciana torna explícito.

Então, gente, quem puder, ajude a divulgar o blog
Procurando Luciana e a busca da família dela, que, apesar de agoniada, não perdeu as esperanças. Especialmente vocês, meninas araraquarenses, dêem uma olhada no blog, de repente vocês conhecem a Luciana, o ex-marido, ou alguém que possa ter notícias dela... E divulguem por aí também.

domingo, 18 de outubro de 2009

EMPODERAMENTO INDIVIDUAL E COLETIVO


A Flávia falou aqui sobre o poder que nossa rede materna na net tem. A Roberta mandou uma Carta ao Prefeito do Rio que está circulando na blogosfera materna e ganhando força pra fazer algo acontecer. As Mamíferas estão sempre contando histórias de empoderamento de gestantes e mães, e das transformações promovidas por elas mundo afora. E eu queria compartilhar com vocês um pedacinho da minha própria história de empoderamento, e das consequências mais amplas que ela tem tido, copiando aqui um email que recebi esta semana da obstetra que acompanhou toda minha gravidez, e que, ao final das contas (como eu conto no meu relato de parto que está quase pronto, mas não acaba nunca) não realizou o parto do Caio, que foi feito em casa com uma enfermeira parteira muito querida, inclusive amiga dela (quem quiser saber um pouquinho do meu parto, minha doula fez um relato AQUI).

A decisão de parir em casa foi tomada quase de última hora, mas de forma bem tranquila e, de certa forma, compartilhada com a obstetra, que concluiu, em uma das últimas consultas antes do nascimento do Caio, que os limites dela, como médica, e do que ela podia fazer na estrutura da maternidade em São Carlos, estavam muito aquém das minhas expectativas em relação ao parto, e que ela não queria me frustrar. Mas se colocou à minha total disposição caso fosse necessário irmos para o hospital, o que me deu ainda mais segurança na minha decisão.

Estou contando tudo isso porque, há uma semana, minha doula, minha parteira, minha obstetra e uma outra doula iniciaram o Grupo de Apoio ao Parto Natural de São Carlos. Dá para imaginar como fiquei radiante, né? Minha doula havia comentado comigo que estava trabalhando bastante em conjunto com minha obstetra, que ela estava bem mudada, e que ela dizia que tinha mudado depois de acompanhar uma gestante que havia questionado alguns procedimentos considerados "padrão" (no caso, euzinha aqui!!). Fiquei super feliz com a notícia, claro, mas nada comparado ao que senti quando recebi esse email dela, que compartilho aqui por dois motivos: para registrá-lo nesse meu cantinho de memórias da gravidez, do parto e dos aprendizados como mãe, e, principalmente, para atestar que nosso poder de transformação do mundo que nos cerca é enorme, e às vezes não nos damos conta. E que se, sozinhos, eu e Dani pudemos mexer alguma coisa dentro dela que a estimulou a mobilizar-se pela humanização do parto numa cidade em que o índice de cesárias chega a 98% na rede privada, imagine nós, mais todos os outros casais que têm buscado essa mudança por aqui, somados a esse Grupo que acaba de se iniciar... A transformação será certeira, não tenho dúvidas. E isso me empodera ainda mais.

Thais

Bom ouvir notícias suas!
Vc talvez não saiba, mas o acompanhamento da sua gestação foi um "turning point" para mim. Todas as coisas desagradáveis que aconteceram com vc (desencontro de informações, atendimento inadequado na maternidade, procedimentos desnecessários...) foram responsáveis pela minha reflexão sobre a prática profissional e minha entrada no mundo da humanização.
Sua gestação foi, para mim, um grande aprendizado.

Nossos encontros serão quinzenais, já vou colocar vc na minha lista de email para encaminhar as datas. Sua experiência com certeza motivará outras mulheres.

Um beijo grande


SORTEIO PASSAPORTE DA LEITURA


Promessa é dívida: hoje temos o resultado do sorteio do Passaporte da Leitura + Cd promocional com música Brincar de Ler, do Palavra Cantada, ambos frutos do belo trabalho de incentivo à leitura no país promovido pelo Instituto Ecofuturo.

Como o outro sorteio que fiz por aqui, e seguindo outras blogueiras mais escoladas do que eu, fiz o sorteio pelo site random.org: selecionei os comentários válidos, que foram 10, e lancei no programinha que eles disponibilizam na homepage. E o resultado foi esse, ó:


A sortuda da vez foi a Cynthia, mamãe do fofo Arthur e dos blogs Eu e Eu e Balde, Areia e Balanço, e a primeira a comentar no post, êêêêê!!!! (dessa vez você passou longe, Lia... mas também, ia ser sorte demais, né, ia até parecer marmelada...rá!)

E quem não ganhou nem aqui, nem nos outros sorteios que rolaram blogosfera afora, não fiquem triste, não: vocês podem baixar o Passaporte, gratuitamente, AQUI. No fim das contas, o que mais importa são as dicas bacanas que ele contém, e que estão disponíveis na rede para todos que quiserem se informar sobre como introduzir os filhotes ao universo da leitura!! Aproveitem!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

DESEJO, NECESSIDADE, VONTADE



as fotos já são um pouco antigas, mas a bagunça continua...

Mamãe dando comidinha pro filhote, que está num divertido (e sujismundo) aprendizado de comer sozinho com a colher e o garfo (imposto aos pais por ele mesmo, afe!). Comeu, comeu, comeu e, antes de acabar o prato, começou a virar a cara e falar: "não té maich" (não quero mais). Mamãe insistiu mais um pouco, viu que não ia virar nada, e começou a comer o restinho, já que ainda não tinha jantado e estava faminta. Na segunda colherada, o filhote aponta para a geladeira e fala: "ovo". A mãe: "ovo, filho?" E ele: "ovo". "É filho, o ovo tá na geladeira". "Té ovo". A mãe não acredita: "você quer ovo, filho?" Ele: "té".

Ela duvida, pergunta mais umas trezentas vezes, e resolve testar: pega um ovo na geladeira, pega a frigideira, vai narrando tudo para o filhote, em tom quase ameaçador: "a mamãe vai fazer ovinho pra você, quero ver você comer, hein!" (oh culpa!, mas foi mais rápido que seu eu-mãe-educativamente-correta...). Ah, no que ela abriu a geladeira, o filhote viu tomatinhos-cereja e pediu, apontando: "té, té". Mamãe pica dois tomatinhos e coloca na bandejinha dele. Enquanto ele se lambuza com os tomatinhos, ela faz um ovinho mexido delícia, que fica super amarelo em razão do ovo ser caipira. Coloca no prato, mostra ao filhote: os olhinhos dele saltam ao ver o mexidão amarelo, ele quer por a mão, mas está quente. Mais um tomatinho-cereja enquanto o ovinho esfria. Mexidinho no ponto, o restinho da comida que a mãe quase traçou vai junto nas colheradas, e o pequeno come uma pratada e tanto. E mamãe medita: mais do que necessidades, os pequenos tem desejos e vontades próprias; quando compreendemos e aprendemos a ouvi-los, não necessariamente através de palavras, tudo fica beeeem mais simples e divertido.


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

SEMANA NACIONAL DA LEITURA + SORTEIO!


duas crianças brincando de ler... e daí que o livro tá de ponta cabeça?

Sempre gostei das palavras. Filha de professores de português, no meu caso o santo de casa fez milagre sim: desde cedo aprendi a gostar de ler e escrever. Minha memória é péssima para lembranças remotas e visuais, mas, mesmo assim, algumas das cenas que ficaram gravadas profundamente em mim têm a ver com livros e leitura, a partir do meio da infância para a adolescência. Lembro do quartinho-escritório nos fundos de casa, onde eu e minhas irmãs nos divertíamos em meio a livros, enciclopédias e papéis. Lembro perfeitamente da coleção do Monteiro Lobato encadernada em capa dura azul marinho (ou seria vinho? ihhhh...), que ficava na estante do meio. Fascínio absoluto. Lembro de mim mesma deitada na linda rede azul com flores coloridas bordadas, passando a tarde toda lendo livros da coleção Vagalume [pausa: meu filho acaba de vir correndo do quarto dele com um livrinho na mão para me mostrar... e agora ele sentou aqui do meu lado e está folheando atentamente o livrinho... sintonia pura!] - o livro O Escaravelho do Diabo exercia um grande fascínio naquela pré-adolescente que eu era: que cargas d'água seria "escaravelho"?, eu me perguntava. E com as leituras eu aprendia tanto sobre as palavras e o mundo!, muito mais do que podia imaginar naquela época.

Flicts, A Bolsa Amarela, Chapeuzinho Amarelo, No Reino Perdido do Beleléu... revirando a memória, chego a lembrar detalhes, ilustrações, quiçá até as sensações que cada uma dessas leituras me proporcionou. E lembro do cheiro dos livros... pode isso?

Como começou esse meu contato com os livros e a leitura? Não sei dizer. Minha memória não alcança tanto (mãe, me ajuda!!). O que posso dizer, a partir do que essa memória manca me permite, é que meus pais liam bastante (a primeira vez que vi os livros Olga e O Nome da Rosa foi na cabeceira deles, eu era ainda uma criança, e nunca mais esqueci esses títulos... coisa engraçada é a memória...) e sempre tive muito contato com livros em casa. Tenho certeza que isso foi fundamental.

Mas sei também que passei um tempo meio "de mal" dos livros, e que isso teve a ver diretamente com a escola, os estudos: grande paradoxo. É que nunca gostei de ler por obrigação, com prazo marcado, com tema imposto por outro alguém. Posso afirmar com certeza que o período em que menos li por prazer, por vontade própria, foi durante o colegial e a faculdade. Era tanta leitura obrigatória que me tirava o ânimo da leitura aleatória, aquela que você escolhe sem mais nem menos, resolve começar e mergulha de cabeça. No colegial, não vou nem comentar, acho totalmente equivocada a associação literatura-vestibular que transforma os adolescentes em leitores-de-resumos. Já no caso da faculdade, não que eu não lesse coisas interessantes nessa época (ai, tô ficando velha... "nessa época"...), li muito sobre arquitetura e urbanismo. Mas me afastei da literatura.

E, curiosamente, depois que o Caio nasceu é que me reencontrei mais profundamente com ela. Voltei a ler com uma intensidade que há muito não me tomava. Tenho apreciado muito o prazer de escolher um livro para ler, ir adentrando na história um pouquinho por dia, quase religiosamente. Mal acabar um e já começar a pensar qual será o próximo, ir acumulando títulos do desejo em uma fila imaginária. Delícia.

Bom... toda essa divagação me veio desde segunda, quando pela primeira vez comemorou-se o Dia Nacional da Leitura, e está me cutucando por toda essa Semana Nacional da Leitura e da Literatura: como começamos a gostar de ler? a partir de que momento a criança apreende o prazer e magia de um livro? como estimular brincando, como fazer os livros e a leitura entrarem de mansinho - e definitivamente - na vida de nossos filhos?

Já falei aqui sobre minha ansiedade em introduzir os livros no mundo do Caio, e como isso foi acontecendo aos poucos e de forma bem divertida. Os livrinhos são brinquedos para ele, são pura brincadeira, e é esse prazer que quero estimular conforme ele for crescendo: ler é para ser diversão, não obrigação, como aprendemos em tantas escolas por aí.

Eu não lia para o Caio na barriga. Não combina comigo, demorei até para conseguir conversar com a barriga... Mas desde que ele começou a dar sinais concretos de que estava lá dentro (chutes, socos e etc) eu comecei a conversar muuuuito com ele, contar histórias do meu dia, da nossa vida aqui fora. E quando ele nasceu, a mesma coisa: muita conversa, muita cantiga, muitas palavras rodeando o seu dia. Daí vieram os livrinhos: livrinho de morder, de dobrar, de chacoalhar, de tatear, de apertar para ouvir sons, de abrir e fechar dobraduras, de encaixar formas e figuras... e, mais recentemente, livrinhos de ler!!! (Rá! quem disse que livro é só para ler as palavras com os olhos?? as crianças leêm de variadas maneiras, com todos os sentidos!!!) Hoje eles são parte do nosso dia-a-dia: brincamos de folhear, ele mostra as imagens para nós, ele fica minutos entretido folheando um por um seus vários livrinhos, e lemos para ele em diversos momentos do dia. Não temos muito uma rotina, ainda não incorporamos, por exemplo, a leitura antes da hora de dormir, mas estamos no caminho. Tem horas ele pede para lermos, tem horas o convidamos a sentar em nosso colo, ou ao nosso lado, e lemos para ele. Mas sempre é uma grande brincadeira.

mesmo sendo brincadeira, olha como ele tá compenetrado!!

E a idéia da leitura como brincadeira é o tema da campanha que o Instituto Ecofuturo, principal articulador da instituição do Dia Nacional da Leitura na mesma data do Dia das Crianças, criou para incentivar a leitura no país: "brincar de ler" é o feliz slogan da campanha, e também o mote da publicação "Passaporte da Leitura", que traz dicas de como tornar a leitura uma diversão vivenciada em conjunto por pais e filhos.


Pensando em tudo isso agora, me veio à mente que esse "Passaporte" teve papel fundamental nessa minha forma de introduzir o Caio aos livrinhos: quando eu ainda estava grávida, uma amiga querida que trabalha comigo na Teia me mostrou o passaporte, que havíamos recebido por sermos um Ponto de Cultura. Ela não tem filhos, e lembro que disse algo assim: "agora que você vai ser mãe, você tem que ver isso aqui com carinho". Cheguei em casa depois do almoço, deitei no sofá (ô saudade de fazer isso!!!) meio sem botar muita fé naquele que me parecia um "panfletinho qualquer" e, qual não foi minha surpresa ao ver a quantidade de informações e dicas preciosas sobre como estimular o prazer da leitura em bebês, crianças e até adultos, tudo em linguagem super acessível (e muito bem escrito!) e com uma qualidade visual que fez toda diferença para despertar minha atenção para o assunto. Adorei, guardei, mas me esqueci dele depois do nascimento do Caio. E agora, 1 ano e meio depois, recebi um exemplar do Passaporte não apenas para curtir, mas também para sortear aqui no blog.

Então, quem quiser ter em casa essa publicação pequenina, mas muito valiosa, acompanhada de um cd com a música comemorativa "Brincar de Ler", feita pela dupla (que eu adoro) Palavra Cantada, deixe um comentário nesse post com seu nome, nome dos filhotes e endereço de email ou blog para contato. Quem quiser ir além, contando um pouquinho da sua experiência na introdução dos pequenos aos prazeres da leitura, eu vou AMAR, e todos temos a ganhar! O sorteio será no próximo domingo.


- Para saber mais sobre o Dia da Leitura: www.dianacionaldaleitura.com.br

- Para conhecer o trabalho do Instituto Ecofuturo: www.ecofuturo.org.br

- Para fazer o download do Passaporte Brincar de Ler: aqui

- Para acompanhar a blogagem coletiva que a super antenada Letícia chamou nesta Semana da Leitura, e tentar a sorte nos outros sorteios do Passaporte que estão rolando na blogosfera: Pelos Cotovelos e Cotovelinhos, O Astronauta, Meu Projetinho de Vida, Novas Peripécias de Cecília, Pai É Quem Cria, Mamãe Antenada, Pequeno Guia Prático, Conversa para Mãe Dormir, Um, Dois, Três, Saco de Farinha!, De Mãe Para Mãe e Devaneios de Mãe.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

CRIANÇA

Já gosta da mamãe
Já gosta do papai
Não sabe tomar banho não
Já sabe tomar banho
Já quer ouvir histórias
Não sabe pôr sapato não
Já sabe pôr sapato
Já come até sozinho
Mas nunca escova os dentes não
Já escova bem os dentes
Já vai até na escola
Não sabe jogar bola não
Já sabe jogar bola
Já roda, roda, roda
Não sabe pular corda não
Já sabe pular corda
No colo quer carinho

("Já Sabe", música do Palavra Cantada)


Escolhi essa música pra hoje. Não que eu dê muita bola para o dia da criança em si, porque essas datas são sempre questionáveis, o caráter comercial acaba falando mais alto. Mas tenho boas lembranças dos meus dias da criança, e fiquei tentando buscar dentro de mim o que originou esse sentimento gostoso. Claro que toda criança gosta de ganhar presente. Eu adorava. E por isso vou dar um presente pro Caio nesta data, sim (embora não tenha comprado ainda... rá!). Mas tem outra coisa que ficou: a possibilidade de curtir um dia qualquer, inteirinho (ainda mais uma segunda, que delícia), junto com pais, irmãos, tios, avós... Claro que não precisa ser dia da criança pra isso acontecer. Mas o dia da criança é um dia a mais, gosto de pensar assim. E hoje, nessa segundona chuvosa, estamos todos aqui pra curtir com o Caio: mamãe, papai, vovó, vovô, titia, titio, já passamos pela casa da bisa... e é uma segundona, quando a maioria de nós não estaria junto, estaria trabalhando ou envolvido nos afazeres do cotidiano.

Mas, voltando à música: ela está na minha cabeça desde ontem, porque acho que ela expressa muito bem essa fase incrível que é ser criança! Pelo menos, ela expressa o que tenho sentido convivendo com o filhote de 1 ano e meio: ser criança é aprender tudo do mundo, um pouquinho por dia, devagar e sempre em alguns momentos, de uma hora pra outra em outros. E tudo é novidade, tudo é mágico, tudo é brincadeira, as possibilidades são infinitas... tem coisa melhor que isso?

Isso é o que tem me fascinado nessa fase do Caio, a quantidade de coisas que ele aprende, as mudanças diárias no seu jeitinho de estar no mundo, de interagir com as coisas e as pessoas. A cada momento é um novo "já sabe", incrível demais!! É um novo jeito de andar, de correr, é uma nova forma de brincar, é a vontade de fazer cada vez mais coisas sozinho, é a ampliação das linguagens - verbal, corporal, musical, é o aprendizado das trocas cada vez mais conscientes, de dar e ganhar um carinho, de puxar pela mão e mostrar algo, de fazer algo esperando uma reação do outro... E no final (e no começo e no meio) de tudo tem sempre a vontade de um chamego, de um colo, de um carinho... não importa a idade da criança!

Então fica aí essa música, que apesar de simples, diz muito: carinho, colo, aprender a olhar, descobrir o mundo, "já saber" uma coisa nova a cada momento, ser incentivada a criar a partir do que ela já sabe, e mais carinho, mais colo, muito amor... é isso que as crianças precisam, é isso que temos de melhor a dar a elas, não só hoje, mas todos os dias.

Fazer minha criança feliz. E me permitir ser feliz com ela. Esse é meu maior desejo nesse dia. Sem data e hora marcada, mas, podendo aproveitar as datas, que seja da melhor maneira!!!


(e ainda não acabou, que hoje é também DIA DA LEITURA, teremos sorteio aqui no blog, e vou tentar participar da
blogagem coletiva proposta pela querida Letícia, do blog Pelos Cotovelos e Cotovelinhos. Passem lá!)

VALEU!


Aproveitando a soneca do Caio, passo por aqui rapidinho para agradecer todos os comentários carinhosos e aconselhadores dos últimos posts: A-M-E-I, gente!!! É por essas e outras que a blogosfera me conquistou. Valeu mesmo!!! Depois eu conto as cenas do próximo capítulo... rá!